Bruno Giovanni Ribeiro dos Santos[1]
I
magine uma tribo de canibais. Agora, imagine que você tenha de evangelizá-los. Para piorar a situação, digamos que os dois primeiros missionários enviados a esse povo tenham sido mortos a cacetadas e seus cadáveres cozidos e comidos.
Imaginou? Era essa a realidade com que se deparou John Panton (1824-1907). A maioria das pessoas sequer teria concebido em ir pregar para esses selvagens. Mas, John permaneceu firme em seu propósito. Ele não só viajou, mas também estabeleceu residência entre os canibais. As dificuldades não cessaram: durante a sua estadia na ilha Tana, o missionário soube que o casal que evangelizava uma ilha vizinha também fora cozinhado e comido.
Agora eu te pergunto: o que fez John Panton permanecer firme em seu propósito? O que o fez ir contra todas as possibilidades a ponto de arriscar a própria vida por aquele povo? A resposta: o amor e a certeza do chamado. Esse amor se demonstrou de duas formas: pelo Evangelho e pelas almas.
Aprendamos com John que, para se fazer missões, é preciso ter a certeza do chamado específico de Deus, a fim de saber onde será seu campo missionário. Depois, é preciso lembrar que haverá muitas dificuldades. Em terceiro, é necessário amar o que se faz e por quem sem faz.
Alguém disse que todo cristão ou é um missionário ou é um impostor. Concordo plenamente. É por isso que fazer missões é tão importante.
Quando nos envolvemos na obra do Senhor, damos prova de nossa fé e somos usados por Deus como meio para conversão do pecador.
Não há nada neste mundo que se equipara a isso. Faça missões. Seja um instrumento poderoso nas mãos de Deus, assim como John Paton! Não desista nas dificuldades. Aliste-se para a “seara do Senhor”!
“Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor. Então disse aos seus discípulos: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua seara". - Mt 9.36-38





Deus tem uma forma muito especial de tratar com cada um de nós, ano passado eu ouvi que Jim Stier, o fundador de Jocum no Brasil, ia rodar uma escola de liderança na Suíça, em Lausanne, onde temos a primeira base de Jocum no mundo. Por uma série de fatores entendi que deveria fazer este treinamento. Graças a Deus consegui resolver o que eu precisava resolver no Brasil e dia 05 de janeiro cheguei a Suíça onde junto com mais 21 missionários de 10 Nações estou fazendo o treinamento. Não sei bem como colocar em palavras em como fazer este curso, aqui e com o Jim, tem um significado muito especial para mim. Jim é um pioneiro em missões, quando ele chegou ao Brasil a cerca de 36 anos atrás as igrejas brasileiras não acreditavam que os brasileiros pudessem ser missionários fora do Brasil e durante décadas a Jocum Brasil tem enviado centenas de missionários que tem pioneirado trabalhos em um número extraordinário de países. De certa forma é como se eu estivesse recebendo um presente para poder viver uma nova fase ministerial.
Tenho percebido que para alguém como eu, que não nasceu num lar evangélico, a palavra missão ou missões, depois que nos convertemos, não tem a princípio um entendimento muito claro. Ao procurarmos o significado da palavra no dicionário vamos encontrar que missão é “quando se envia alguém para realizar alguma coisa”. Não esclarece muito. Então, tentamos colocar a palavra no contexto da igreja e passamos a acreditar que missão é “enviar alguém para lugares distantes para realizar uma obra humanitária, propagar princípios cristãos e ajudar pessoas pobres”. Foi assim comigo e com algumas pessoas que conheço. E ... normalmente continuamos pensando que “esses povos” estão bem distantes de nós, e que pessoas que devem ser enviadas são aquelas que tem um sonho, um chamado muito específico, foi bem preparadas e principalmente são bastante altruístas e precisam abandonar tudo. Acho que era mais ou menos assim que eu pensava até ser apresentada a uma mulher chamada Eva. Eu a conheci num encontro de militares e durante o almoço fiquei ouvindo sua história. Ela tinha nascido num lar evangélico e desde muito pequena sonhava em ser missionária. Sonho mesmo, desejo imenso que ardia no coração. Dava aulas na escola dominical e casou - se muito cedo com um obreiro da igreja. Adiou o sonho, pois o ministério dele precisava de uma ajudadora. Vieram os filhos, um pertinho do outro... E mais um adiamento. Estudaram... Cresceram... O tempo parecia dizer que o sonho era coisa do passado. Os filhos se casaram e ela com quase sessenta anos me contou que fizera um concurso da prefeitura da cidade para ser agente comunitária. Com muita alegria ela dizia que agora tinha um bairro inteirinho para fazer missões. Seu sonho tinha se realizado! E mais... Ainda ganhava dinheiro para fazer aquilo. Naquela tarde entendi o que era ser missionária.